Diagnóstico tarde demais: Mais de 60% dos casos de câncer colorretal são vistos em estágio avançado no Brasil
Estudo da Fundação do Câncer revela "catástrofe" e sugere antecipar rastreamento para 45 anos; Prejuízo à cura é "acentuado"
Por Administrador
Publicado em 28/11/2025 15:15
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Pesquisa de sangue oculto nas fezes, exame de baixo custo e essencial no rastreamento do Câncer Colorretal. Fundação do Câncer sugere antecipar a idade para o início dos testes. (Foto: Câmara Municipal de Afonso Claudio/Divulgação)

 

Uma análise alarmante da Fundação do Câncer, lançada nesta quinta-feira (27) – Dia Nacional de Combate ao Câncer –, mostra o grave desafio no diagnóstico do Câncer Colorretal (CCR) no Brasil. Dos 177 mil casos registrados em hospitais do país entre 2013 e 2022, mais de 60% foram diagnosticados em estágios avançados.

 

A demora no diagnóstico tem uma consequência direta e dramática: reduz de forma acentuada a possibilidade de cura dos pacientes.

 

Volume de casos avançados é uma "catástrofe"

 

O diretor-executivo da Fundação do Câncer e cirurgião oncológico, Luiz Augusto Maltoni, classificou o cenário como uma "catástrofe" em entrevista à Agência Brasil, destacando a sobrecarga de casos que chegam tardiamente ao sistema de saúde.

 

“Se analisarmos o país como um todo, os dados mostram que 50% das pessoas chegam no estágio já metastático, estágio 4, e mais 25% no estágio 3. Somando os estágios, são mais de 70%, o que é uma catástrofe,” afirmou Maltoni.

 

O médico reforça que a detecção precoce de qualquer sintoma, por mais leve que seja, é crucial. Ele defende a necessidade de políticas de rastreamento populacional por parte do Estado.

 

“Aquela intervenção feita pelo Estado para chamar a população alvo para que faça exames... é fundamental. Porque detecta não só um tumor, mas são as lesões precursoras que podem desenvolver o câncer. Isso é fundamental, é isso que vai mudar essa história.”

 

Fundação sugere baixar faixa etária para rastreamento

 

Atualmente, o rastreamento do CCR no Brasil é feito, a partir dos 50 anos, com o exame de pesquisa de sangue oculto nas fezes. Se o resultado for positivo, o paciente é encaminhado para a colonoscopia.

 

No entanto, a Fundação do Câncer alerta que o pico de incidência da doença ocorre exatamente entre os 50 e 60 anos, indicando que a idade atual para iniciar os testes pode ser tardia.

 

“Se a gente começar a fazer rastreamento só com 50 anos, corre o risco de chegar tarde. É procurar antecipar. A maneira de a gente fazer isso é, obviamente, baixar um pouco a faixa etária do chamado para testes de rastreamento,” sugere Maltoni.

 

A proposta é antecipar a faixa etária para 45 anos ou, eventualmente, 40 anos, permitindo identificar lesões precursoras, como pólipos e adenomas, antes que se transformem em um carcinoma.

 

Prevenção primária e correlação com obesidade e tabagismo

 

O estudo também aponta para a importância da prevenção primária – a mudança de hábitos de vida. O boletim revelou uma correlação direta entre o aumento do câncer colorretal e as taxas de obesidade e tabagismo no país.

 

Capitais com altas taxas de fumantes (acima de 12%), como Florianópolis e Porto Alegre, e com alta prevalência de obesidade (igual ou superior a 24%), como Rio de Janeiro e São Paulo, estão entre aquelas com maior incidência do tumor.

 

“São aquelas medidas que a gente vive falando, de evitar sobrepeso, evitar falta de atividade física, excesso de bebida alcoólica, não fumar. Isso é fundamental, porque a gente sabe que isso ajuda a reduzir casos novos de câncer,” enfatizou Maltoni.

 

Disparidade regional e necessidade de política de estado

 

Quase metade dos casos (49,4%) se concentra na Região Sudeste, que, junto ao Sul, possui maior volume de equipamentos de diagnóstico. Contudo, a análise mostra que a Região Centro-Oeste é onde o deslocamento de pacientes para tratamento é maior (cerca de 18% dos casos).

 

Com uma estimativa de aumento de 21% no número de casos até 2040, a Fundação do Câncer apela pela criação de uma Política de Estado permanente.

 

“Não temos uma estratégia bem estabelecida e firme para a prevenção e o diagnóstico precoce... Tem que ter uma política pública, uma política de estado permanente, que independa de quem esteja no governo, para que esses resultados aconteçam,” concluiu o diretor-executivo.

 

Fonte: Agência Brasil

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