"Nosso marco é ancestral": Indígenas realizam mobilização nacional contra marco temporal
Protestos em rodovias e em Brasília reforçam pressão sobre o STF e o Congresso em semana decisiva para os direitos territoriais
Por Administrador
Publicado em 22/12/2025 09:44
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Indígenas de diversas etnias unem-se em protesto contra a PEC 48/2023, reforçando a vigilância sobre as decisões do STF e do Legislativo. (Foto: Maiara Dourado/Cimi/Divulgação)

Brasília – Sob o lema “O nosso marco é ancestral”, povos originários de diversas regiões do Brasil realizaram, nesta terça-feira (16), uma jornada de mobilização contra a tese do marco temporal. Os atos, organizados pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), ocorreram simultaneamente em rodovias, territórios tradicionais e em frente às sedes do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF).

 

A mobilização busca barrar a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 48/2023 e a Lei 14.701/2023, que tentam estabelecer a data de 5 de outubro de 1988 como o limite para o reconhecimento do direito às terras tradicionais.

 

Resistência nos territórios e estradas

 

De Norte a Sul, lideranças expressaram o temor de que a aprovação da tese resulte em violência e destruição ambiental. Em Roraima, o movimento indígena bloqueou a BR-174, enquanto no Espírito Santo, o povo Guarani interditou trechos da ES-010.

 

O Cacique Raoni Metuktire, uma das vozes mais respeitadas mundialmente, fez um apelo direto aos parlamentares através das redes sociais. “Senhores senadores e deputados, me escutem. Vocês não nos consultam. Vamos falar que este território é dos nossos ancestrais”, declarou Raoni. Já Auricélia Arapium, do Pará, classificou a proposta legislativa como a "PEC da Morte", alertando para o risco de genocídio legislativo.

 

O tabuleiro em Brasília: STF vs. Congresso

 

A ofensiva indígena ocorre em um momento de "queda de braço" entre os poderes:

 

No STF: Os ministros julgam a constitucionalidade da lei que validou o marco. Até o momento, o placar está em 3 a 0 contra a tese (votos de Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin), com sete votos restantes.

 

No Legislativo: O Senado aprovou a PEC 48/23 na última semana, enviando-a para a Câmara dos Deputados, que pode votar o texto ainda nesta semana para tentar inserir o marco temporal diretamente na Constituição.

 

Impacto ambiental e social

 

Para Dinamam Tuxá, coordenador executivo da Apib, a luta não é restrita aos indígenas. “Enfraquecer esses direitos é enfraquecer a capacidade do Brasil de enfrentar a crise climática”, afirmou. O movimento critica ainda a "comissão de conciliação" criada pelo STF, da qual a Apib se retirou por entender que direitos fundamentais e originários não devem ser objeto de negociação comercial ou política.

 

As mobilizações devem continuar nos próximos dias, acompanhando o encerramento da janela de votações no Congresso e o desenrolar do julgamento no plenário virtual do Supremo.

 

Fonte: Agência Brasil

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